sábado, 26 de março de 2011

Como se deu o Desenvolvimento do Japonês


O processo de desenvolvimento econômico foi conduzido por uma elite que havia tomado o poder na Restauração Meiji (1868) e que tenha como principal projeto impedir que o Japão se tornasse uma colônia estrangeira.
Com a 1ª Guerra Mundial, as empresas manufatureiras européias ficaram impedidas de suprir os mercados asiáticos, sendo rapidamente substituídas por fornecedores japoneses. O boom exportador fez com que, ao final da guerra, o Japão acumulasse reservas internacionais em volume suficiente para se tornar um dos credores líquidos do mundo.
Após a 2ªGuerra Mundial, a ocupação militar pelas forças americanas em 1945 representou a mais profunda ruptura da ordem política desde a Revolução Meiji: inicialmente, os EUA pretenderam punir permanentemente a nação japonesa para que ela não assumisse a sua antiga posição de potencia asiática. Porém a partir de 1948, com a Guerra Fria, os EUA mudam a sua política externa e o Japão tornou-se um aliado estratégico relevante contra a expansão comunista na região. Devia-se, portanto, promover a recuperação de sua economia e revitalizar as lideranças políticas locais, de forma a integrar o país, o mais rápido possível, à nova ordem internacional, que estava sendo constituída sob domínio dos EUA.


Entre 1953 e 1973, o Japão desenvolveu-se muito e retornou ao mercado externo. O déficit externo foi eliminado, a antiga estrutura industrial (têxtil) foi substituída por uma nova, centrada nos setores de equipamentos, insumos básicos e bens duráveis, capaz de competir com produtos americanos e europeus de alto valor e densidade tecnológica. Foram as duas décadas do chamado “milagre econômico”, que teve o seu fim com os choques externos a partir de 1973.
A ocupação americana (1945-1953) tinha como objetivo punir permanentemente o povo japonês por sua “aventura militar”, através da desmontagem de sua suas indústrias pesada e tecnologicamente de ponta, da desarticulação de seus grandes blocos de capital e da eliminação do poder econômico e político de suas classes dirigentes, particularmente o das famílias proprietárias dos grandes conglomerados (Zaibatsu), dos latigundiários e dos militares.
Com a Guerra Fria (1947), os EUA mudam a sua estratégia externa e vê a necessidade de desenvolver o Japão para conter o avanço do comunismo. Com isso, os americanos passaram a exigir imediata estabilização da economia japonesa, como forma de deter o processo inflacionário e os déficits comerciais externos, mesmo que essa ação tivesse um alto custo social. Diante da relutância do governo local em implementar suas ordens, as autoridades de ocupação decidiram impor um programa apoiado em um orçamento fiscal superavitário e, principalmente, no estabelecimento de uma paridade única e fixa entre o dólar e o iene.
O programa de estabilização fez com que a inflação fosse rapidamente contida, ao mesmo tempo em que a estagnação tomava conta da economia. A abertura comercial, a despeito de a taxa de câmbio de competitividade aos produtos locais, gerou, de imediato, elevados déficits, apesar de as exportações terem mais que triplicado sua participação na renda interna. Um clima pessimista tomou conta do país.
Aproveitando-se da gravidade de situação, as autoridades japonesas conseguiram negociar com os americanos alguns pontos de extrema importância para o arranjo institucional que deu suporte ao crescimento acelerado dos anos 1950/60. o câmbio seria monopólio do Estado. As importações e a entrada de capital estrangeira seriam diretamente contratadas pelo governo. Posteriormente, os EUA aceitaram que os japoneses realizassem um esforço de exportação direcionado para o mercado americano, baseado em políticas agressivas de subsídios. Com isso medidas, o Japão teve um período de “milagre econômico”.
Esse “milagre econômico” foi obtido a partir de um contexto institucional no qual foi inicialmente importante a permissão para os antigos “Zaibatsu” pudessem se reatircular em grandes conglomerados, que incluíram grandes empresas industriais, comerciais e financeiras. Essa reconstrução do capital nacional se deu, no entanto, em novas bases, formando os “Keiretsu”. Estes grupos são caracterizados por um network estável e complexo de relações entre empresas, capaz de coordenar estratégicas globais de concorrência, sem, no entanto, tolher autonomia e a flexibilidade decisória de cada um de seus membros.
A formação dos “Keiretsu” foi muito importante para o desenvolvimento do país e, para auxiliar nos investimentos dos conglomerados e os bancos para manter o desenvolvimento. Além disso, os “Keiretsu” decidiram sues investimentos no âmbito da política de “concorrência entre iguais”, promovida pelo governo japonês.
O Estado não discriminou o acesso de nenhum dos grandes grupos aos setores escolhidos como estratégicos nos programas nacionais de industrialização formulados Ministério da Indústria e do Comércio Exterior (Miti).
Devido às pressões concorrências, quando um determinado grupo se lançava em uma nova indústria, os demais o seguiam. No momento seguinte, as vendas cresciam, sancionando a capacidade de produção que havia sido instalada e criando novas possibilidades de investimentos em mercados internos dos conglomerados, situados a jusante e a montante da matriz internacional. Foi o chamado “princípio do controle global”.
A “competição excessiva” no mercado interno só foi possível porque o Estado decidiu limitar, apenas aos grupos nacionais,, o acesso ao mercado interno. Através do controle direto das importações e do investimento estrangeiro, eliminou-se a ameaça da competição direta dos capitais externos, o que permitiu às empresas nacionais levarem adiante seus projetos de investimentos, sem correr o risco de ser surpreendidos, em seu próprio mercado, pela entrada imprevista de fortes concorrentes estrangeiros.
Tendo em vista a enorme relevância do crédito bancário corrente para o financiamento industrial de longo prazo, o governo, através do Banco do Japão, ajustou sua política monetária de forma a subordiná-la aos interesses do crescimento industrial. Além disso, o Banco do Japão tinha grande interação e influência sobre os bancos comerciais, permitindo que o governo mantivesse o crédito no mercado.
Havia uma grande cooperação entre empresas, governo e trabalhadores (sindicatos), o que ocorria devido a todos estarem buscando o desenvolvimento da economia.
O milagre japonês começou por volta de 1962 e impressionou o mundo com as taxas de crescimento do país. Um exemplo disso é o grande crescimento industrial pós 66.
A participação do Estado, direta e indiretamente foi importantíssimo para o crescimento do país. Um outro fato é a cooperação do setor privado e publico para conseguirem criar e estabelecer medidas que permitiram o desenvolvimento do Japão, principalmente no desenvolvimento industrial.
Um exemplo de cultura industrial do Japão é a preocupação com os empregados e essa preocupação permite uma maior estabilidade de emprego e consequentemente da economia. Com isso, as empresas têm políticas de manutenção e salariais para manterem os empregados.
Algumas medidas adotadas no Japão que ajudaram no acontecimentos do milagre são: sistema de proteção econômica ao cidadão; presença de um sistema de cooperação na industria; sistema de impostos baixos para contribuir os investimentos das empresas; cooperação das empresas públicas com as empresas privadas; e o mais importante foi o controle do Estado sobre institucionais financeiras, principalmente do Banco de Desenvolvimento do Japão.
O que se verifica claramente é que, para acontecer o milagre, o Japão criou um sistema e uma cultura de crescimento conjunto dos diversos setores, orientado pelo Estado e com objetivo de desenvolvimento.
Um outro fato que permite entender o milagre é a preocupação constante da indústria em produzir mais com melhor produtividade, buscando sempre aperfeiçoar a linha de montagem. Esse aumento de produtividade, normalmente, vem dos próprios empregados, pois estes se preocupam com a empresa e buscam, cada um, criar soluções para melhorar as condições da empresa.   
Com o crescimento econômico, o Estado tinha como preocupação do movimento social entre cidades e também com a entrada de estrangeiros no país. Com isso, o governo procurou impedir os movimentos sociais e procurou criar, através de incentivos as empresas, empregos nos mais diversos locais.
Portanto, o desenvolvimento japonês esteve baseado na cooperação e interação entre Bancos, Empresas e Estado.
Com relação aos bancos, o governo procurou criar medidas de incentivos a liberação de crédito com juros baixos. Além disso, o governo cedia empréstimos e investia fortemente em infra-estrutura e em empresas.
Um outro fator que permitiu o crescimento econômico foi um acordo de cooperação entre EUA, sendo que este fez este acordo com preocupação do avanço do movimento comunista na Ásia. Com isso, o acordo visava o avanço do Japão no capitalismo e, para isso, os EUA abriram seu mercado para a entrada dos produtos japoneses, facilitaram a transferência de tecnologia e ajuda às contas de do Estado.
O crescimento do Japão esteve relacionado tanto por comercio exterior quanto por comercio domestico, principalmente este último, após 1955, com o incentivo do governo ao consumo através corte de impostos.
Além da defesa do gasto público e privado e os incentivos à exportação, a terceira parte do crescimento japonês é a transferência de tecnologia, a qual teve grande apoio dos EUA por este país ajudar no desenvolvimento tecnológico do Japão. Esse desenvolvimento tecnológico foi fundamental para o desenvolvimento industrial do Japão e para melhorar a competitividade dos produtos japoneses no mercado internacional.
O Estado japonês durante o milagre foi um Estado orientador do desenvolvimento. Um exemplo disso é o incentivo que o governo faz para as empresas dinamizarem melhor a sua produção e para criar planejamento de produção que melhor reduz custos e que melhor tendam a demanda.
Frederico Matias Bacic

3 comentários:

  1. Só pra complementar, no livro de Nali de Souza, também enfatiza a questão pela qual o Japão tinha sua política econômica totalmente restrita, pois uma vez governado sobre a soberania Xogum, cortava todo e qualquer comércio com o exterior. Após esse rompimento dessa barreira comercial, foram abertas as portas para as transações comerciais com o Ocidente.

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  2. 1-Descentralização do Governo, pós Segunda Guerra Mundial
    2-Reformas,reformas...., Reforma Constitucional, Agraria, Industrial, Educacional etc..

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  3. Maus samaritanos: o mito do livre-comércio e a história secreta do capitalismo
    Ha-Joon Chang
    Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

    Maus Samaritanos é mais um livro do jovem e proeminente economista heterodoxo do desenvolvimento econômico Ha-Joon Chang. Ele nasceu na Coréia do Sul, mas está radicado na Inglaterra há bastante tempo. É professor da Universidade de Cambridge desde 1990. Tem vários livros publicados e seu trabalho mais famoso, traduzido para vários idiomas, é Chutando a Escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica, publicado originalmente em inglês em 2002 e em português em 2004. Esse livro lhe rendeu o Prêmio Gunnar Myrdal em 2003 e o Prêmio Leontief em 2005.

    O livro Maus Samaritanos é dividido em nove capítulos e um epílogo e apresenta uma abordagem crítica à teoria econômica heterodoxa. Ha-Joon desenvolve várias analogias ao longo do texto, tentando esclarecer suas críticas. Algumas delas são bastante interessantes, como a que faz em relação ao desenvolvimento de seu filho Jin-Gyu, que tinha seis anos quando da publicação original do livro em inglês, em 2006, e a proteção necessária à indústria nascente nos países em desenvolvimento. Ele diz que se a legislação permitisse, poderia mandar seu filho para o mercado de trabalho, mas com isso, ele estaria fadado a ter eternamente subempregos. Seria muito difícil conseguir se tornar um médico ou um físico nuclear, por exemplo. Para que isso fosse possível, ele teria que proteger e investir na educação de seu filho por no mínimo mais doze anos. O mesmo ocorre com a indústria nascente: se ela é exposta rapidamente ao livre-comércio, posição defendida pelos economistas neoliberais, muito provavelmente não irá conseguir sobreviver, porque, assim como seu filho, precisa de um tempo para conseguir trabalhar com tecnologias avançadas e construir organizações eficientes. O autor observa que é errado inserir o seu filho no mercado de trabalho com seis anos, expondo-o precocemente à concorrência, mas também é errado subsidiá-lo até os quarenta anos. Isso tem que ser feito somente até o momento em que ele consiga ter a capacitação necessária para obter um emprego satisfatório. O mesmo funciona em relação às empresas, que não podem ser subsidiadas e protegidas eternamente.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572009000100009

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